segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Educação

- Pare essa bosta que eu quero descer, maldito ônibus de merda, maldito motorista, maldito trânsito, maldita cidade, maldito país. Ei cobrador filho da puta! vai tomar no cú, seu idiota, cara de hamburguer, preguiçoso de merda. Vai tomar no rabo, seu velho de merda, fica aí ocupando lugar, tá atrasado pra morrer. Cala a boca moleque, tu não sabe de nada, vai viver e aprender a curtir a vida. Pois não senhorita, pode passar. Humm, ô morena.

Contágio

Ela que sentou na cadeira e sentiu um calor absurdo que lhe arrepiava cada um dos pelos depilados de seu corpo, assim como os não depilados, calafrios andantes que lhe percorriam a espinha como um elevador de prédio comercial em Nova Iorque, São Paulo ou Tóquio.

Eis que foi descendo a sua própria umidade e morder os lábios era uma obrigação para consigo mesmo, para com seu corpo, para com seu desejo. Sentia os mamilos enrijecerem contra o soutien de jeito a dar um certo vácuo no entorno apesar dos tamanho apertado do apetrecho feminino.

Enrolou os cabelos de trás da orelha com dois dedinhos da mão e se contraiu em seguida.

Não resistiu e deu um pequeno "ai!" que foi quase um sussurro, não escandaloso, não agudo, um simples gemido que apenas o colega do cubículo ao lado alcançou e ao escutar começou a ter seus próprios sintomas pois o gozar é algo contagiante.

domingo, 18 de julho de 2010

Amor, além.

Sentiu o cheiro dela no ar, era algo que misturava cerveja, colônia barata e sêmen. Ela tentou beijá-lo que desviou no ato. Tiveram um princípio de briga pois de todos aqueles odores nem um deles tinha a ver com ele, e ela era sua esposa.

Ele bebia vinho, usava Polo e não gozava na esposa.

Ela curtia uma cerveja, disfarçar sua sacanagem com perfumes baratos e o que gozassem no seu corpo, exceto no olho.

Mas ele a recolheu e lhe deu 1 banho, 2 engoves e 3 lições de compostura.

Na segunda feira, voltaram a ser um bonito casal de sociedade.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Não lambe não.

E ele que achava que já tinha visto, ouvido e experimentado de tudo, escutou:

- Posso lamber sua quelóide?
- O quê?
- Sua quelóide, essa cicatriz aqui.
- Não, claro que não!
- Ela não é sensível?
- Não, claro que não!
- Vai, deixa eu lamber, não vai doer nada em você e o pior que pode acontecer é eu me excitar.
- Cai fora!
- Mas...
- Cai fora! Sai daqui.

E ele pensou no valor sentimental que tinha aquela maldita cicatriz que o fazia lembrar da morte de seus filhos gêmeos, de sua amada esposa e de seu cachorro Totó.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Bondade do Azul

Mirava nas bolas de naftalina no mictório, a urina laranja avermelhada devido a todos os remédios da quimioterapia que quando se encontravam com a superfície mal lavada do lugar de urinar, tornava-se azul. Acreditou que aquilo era um sinal divino, assistiu em filmes a vida toda que algo que muda do vermelho pro azul, sempre é algo bom.

Sorriu e pensou a respeito de sua vida e de tudo que iria fazer com ela.

Então morreu três meses depois.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Tarja Preta

Segurou a lâmina firme com a mão esquerda, apesar de não ser canhoto. E fincou com força na altura do cotovelo do braço oposto e levantou o corte até o punho fechado. O corte em diagonal bizarra fundo o suficiente para desarticular os tendões daquela mão. O braço ainda possuía a articulação, mas dor do mesmo não permitia que ele se erguesse ou que tivesse algum nervo alí que transmitisse algum impulso elétrico que não fosse dor, e mesmo se tivesse seria suprimido pelo código que só nosso cérebro interpreta e comanda e o mesmo cairia naquela caixa de lixo eletrônico no momento, para um dia quem sabe ser interpretado como espasmo.

Largou da mão esquerda a tal arma de corte e se perguntou por quê? porque fez aquilo. Viu seu remédio tarja preta em cima da mesa e percebeu então que o relógio estava parado. A pilha acabou, o relógio parou, ele se cortou, quase morreu, se arrependeu, pegou o telefone e ligou.

- Alô! tenho uma emergência.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Culpado!

O Acusada tinha pra lá de seus 70 anos. A Vítima por volta dos 60.

A Vítima insistia que o Acusada era culpado. Se vê de tudo em um juizado de pequenas causas.

Mas O AcusadO dizia que não lembrava do ocorrido, ocorrido este há mais de 50 anos, alegava também que não tinha mais idade para lembrar mesmo.

Mas a vítima insistia, dizia que não pensava em nada além disso desde os 40, que tudo ocorrera quando ela tinha 10 anos.

O juíz que precisava resolver tudo muito rápido para pegar um caso de celular pediu para a vítima acusar diretamente a culpada por seu crime, e ela o fez.

"Ele é culpada de varrer meu pé, e por isso nunca casei".

E o juíz, fez pigarrear a garganta e cansou do circo armado. "Eu os declaro marido e mulher, é a sua sentença de culpado".