- Diz que me ama?
- Digo.
- Então diz!
- Te amo.
- Foi difícil?
- Não.
- Por que nunca disse antes então?
- Porque é fácil dizer quando não reprenta nada.
domingo, 24 de agosto de 2008
O Pequeno
Vindo de um planeta distante, um asteróide na verdade, onde ele era o único habitante e de tão alta nobreza era seu espírio que merecia o título de príncipe.
Quando pôs os pés na Terra em sua ingenuidade entrou em contato com os homens que quiseram entender como ele veio de tão longe sem nenhuma espaçonava ou traje espacial, como aquele ser respirava no vácuo.
Mas ele queria apenas fazer amigos e confiou nos homens, os mesmos que o trancafiaram em um laboratório por meses testando seus limites até dar cabo em sua vida e dissecarem seu corpo para e perceberem que era idêntico ao corpo de qualquer outro humano.
E perceberam em sua estupidez que simplesmente o essêncial é invisível aos olhos.
Quando pôs os pés na Terra em sua ingenuidade entrou em contato com os homens que quiseram entender como ele veio de tão longe sem nenhuma espaçonava ou traje espacial, como aquele ser respirava no vácuo.
Mas ele queria apenas fazer amigos e confiou nos homens, os mesmos que o trancafiaram em um laboratório por meses testando seus limites até dar cabo em sua vida e dissecarem seu corpo para e perceberem que era idêntico ao corpo de qualquer outro humano.
E perceberam em sua estupidez que simplesmente o essêncial é invisível aos olhos.
O sussurro de Margot
Margot era a mais linda do escritório. As pernas mais torneadas e o seios mais fartos.
Seu marido Arnaldo era o mais canalha de todos, chegando em casa pela manhã de quinta-feira com bafo de cachaça e batom de uva no colarinho.
Enquanto seu filho chamava de Toninho, o mais mimado e egoísta de todas as crianças do bairro.
Dr. Tarso era o advogado seu chefe, que a assediava sempre que ia pegar um café. E era um viciado em cafeína.
Digão era o maníaco do trem que sempre tentava roçar seu pau nela pelas manhãs.
No meio disso tudo ainda tinha a aproveitadora Dona Flávia que arrumava alguma desculpa e uma mentira para Margot lhe arrumar dinheiro, não negava dinheiro à mãe mesmo ela sendo viciada em jogo.
Sem esquecer de Seu Roberto, que dizia para todo mundo que tinha problemas de memória e de respiração, onde colocava cânhamo concentrado no recipiente de seu nebulizador.
Então um dia Toninho pediu dinheiro para ir ao colégio, já que o pai estava bêbado no sofá e reclamou que o dinheiro e a atenção que Margot o dava não eram suficientes. Já que ela trabalhava a duas horas de casa e o dia inteiro para manter a casa em ordens já que Arnaldo sempre perdia o emprego. Margot engoliu a seco as palavras do menino.
No onibus finalmente Digão conseguiu ficar roçando seu pau como um típico tarado de trem em Margot, que na lotação absurda do vagão ela não tinha como fugir daquele abuso. Chegou no trabalho e seu chefe pediu para que ela abrisse um pouco o decote, ela se recusou. Ele entrou furioso.
O telefone tocou, era a mãe pedindo dinheiro para o fundo das senhoras de poucas posses, Margot sabia do que se tratava e disse que daria um jeito. Quando Dr. Tarso passou e ficou olhando para as pernas da secretaria, tal qual um lobo saliva a presa; ela as enfiou para baixo da mesa.
O telefone mais uma vez toca, era Dona Flávia novamente informando que o pai estava sendo preso por plantar maconha em seu quintal, disse que precisava de um advogado. Margot não tinha dinheiro, precisava falar com o patrão.
Abriu a porta e ele respondeu com aquele olhar de tarado. Perguntou do que se tratava, ela esclareceu. Ele levantou de sua mesa, colocou a secretaria contra a porta, fechando-a e disse que estava disposto a ajudar. Desceu o dedo de leve arregaçando o decote, ela o empurrou forte e ele caiu sobre a mesa de centro, de vidro, felizmente causando um acidente não fatal e infelizmente decisivo na carreira de Margot.
Demitida, arrumava as coisas já pensava em outros advogados conhecidos para intercederem por seu pai e trabalhistas para tratar de seu assédio por Dr. Tarso. Estava indo embora quando o celular tocou.
Era uma nova personagem que se apresentava, seu nome: Júlia, a dona do batom de uva. E só tinha uma coisa a dizer "Estou grávida de Arnaldo" e desliga.
Margot não era do tipo histérica, mas nesse dia ela resolveu gritar e gritou, com toda a sua força à plenos pulmões. E gritou, e gritou, disseram que os sistemas de comunicação tiveram interferência, que se escutou o agudo grito na China acordando inclusive os preguiçosos pandas do zoológico de Pequim. Era um grito como nenhum outro, somente os sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki já tinha ouvido algo similar, mas não tão assustador.
E 30 segundos que Margot havia começado, parou de gritar e viu a devastação do que fez. 32,75km de destruição em cada direção que olhava, claro não sabia disso, mas sabia que tinha destruído a cidade inteira. Arnaldo, Toninho, Tarso, Digão, Flávia, Roberto e Júlia não existiam mais.
Respirou fundo e pensou como foi fácil resolver todos os seus problemas.
Seu marido Arnaldo era o mais canalha de todos, chegando em casa pela manhã de quinta-feira com bafo de cachaça e batom de uva no colarinho.
Enquanto seu filho chamava de Toninho, o mais mimado e egoísta de todas as crianças do bairro.
Dr. Tarso era o advogado seu chefe, que a assediava sempre que ia pegar um café. E era um viciado em cafeína.
Digão era o maníaco do trem que sempre tentava roçar seu pau nela pelas manhãs.
No meio disso tudo ainda tinha a aproveitadora Dona Flávia que arrumava alguma desculpa e uma mentira para Margot lhe arrumar dinheiro, não negava dinheiro à mãe mesmo ela sendo viciada em jogo.
Sem esquecer de Seu Roberto, que dizia para todo mundo que tinha problemas de memória e de respiração, onde colocava cânhamo concentrado no recipiente de seu nebulizador.
Então um dia Toninho pediu dinheiro para ir ao colégio, já que o pai estava bêbado no sofá e reclamou que o dinheiro e a atenção que Margot o dava não eram suficientes. Já que ela trabalhava a duas horas de casa e o dia inteiro para manter a casa em ordens já que Arnaldo sempre perdia o emprego. Margot engoliu a seco as palavras do menino.
No onibus finalmente Digão conseguiu ficar roçando seu pau como um típico tarado de trem em Margot, que na lotação absurda do vagão ela não tinha como fugir daquele abuso. Chegou no trabalho e seu chefe pediu para que ela abrisse um pouco o decote, ela se recusou. Ele entrou furioso.
O telefone tocou, era a mãe pedindo dinheiro para o fundo das senhoras de poucas posses, Margot sabia do que se tratava e disse que daria um jeito. Quando Dr. Tarso passou e ficou olhando para as pernas da secretaria, tal qual um lobo saliva a presa; ela as enfiou para baixo da mesa.
O telefone mais uma vez toca, era Dona Flávia novamente informando que o pai estava sendo preso por plantar maconha em seu quintal, disse que precisava de um advogado. Margot não tinha dinheiro, precisava falar com o patrão.
Abriu a porta e ele respondeu com aquele olhar de tarado. Perguntou do que se tratava, ela esclareceu. Ele levantou de sua mesa, colocou a secretaria contra a porta, fechando-a e disse que estava disposto a ajudar. Desceu o dedo de leve arregaçando o decote, ela o empurrou forte e ele caiu sobre a mesa de centro, de vidro, felizmente causando um acidente não fatal e infelizmente decisivo na carreira de Margot.
Demitida, arrumava as coisas já pensava em outros advogados conhecidos para intercederem por seu pai e trabalhistas para tratar de seu assédio por Dr. Tarso. Estava indo embora quando o celular tocou.
Era uma nova personagem que se apresentava, seu nome: Júlia, a dona do batom de uva. E só tinha uma coisa a dizer "Estou grávida de Arnaldo" e desliga.
Margot não era do tipo histérica, mas nesse dia ela resolveu gritar e gritou, com toda a sua força à plenos pulmões. E gritou, e gritou, disseram que os sistemas de comunicação tiveram interferência, que se escutou o agudo grito na China acordando inclusive os preguiçosos pandas do zoológico de Pequim. Era um grito como nenhum outro, somente os sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki já tinha ouvido algo similar, mas não tão assustador.
E 30 segundos que Margot havia começado, parou de gritar e viu a devastação do que fez. 32,75km de destruição em cada direção que olhava, claro não sabia disso, mas sabia que tinha destruído a cidade inteira. Arnaldo, Toninho, Tarso, Digão, Flávia, Roberto e Júlia não existiam mais.
Respirou fundo e pensou como foi fácil resolver todos os seus problemas.
O beijo veloz
O vento no rosto, desgrenhando os cabelos. A velocidade estimulando a adrenalina, o cérebro amplamente satisfeito. Abrir os braços e pensar que está voando, existe resitência do ar pois o corpo humano não foi concebido para voar. E ainda sim ele estava alí a 100metros de altura.
E quando percebeu a rua com seus carros e pedestres lhe passou um longa metragem em preto e branco, mudo e sem ritmo, com as melhores cenas cheias de ruído como numa fita de vídeo VHS. Era a sua vida.
Fechou a cara e pensou "Puta merda!".
E beijou o chão a 112 km/h.
E quando percebeu a rua com seus carros e pedestres lhe passou um longa metragem em preto e branco, mudo e sem ritmo, com as melhores cenas cheias de ruído como numa fita de vídeo VHS. Era a sua vida.
Fechou a cara e pensou "Puta merda!".
E beijou o chão a 112 km/h.
quarta-feira, 16 de julho de 2008
Encontros
Encontrou-se consigo mesmo.
- Oi!
- Olá.
- Antes de perguntar por praxe, sei que estou bem.
- Também sei.
- É muito bom me encontrar.
- Pensando melhor, nem tanto.
- Eu quero me dizer uma coisa.
- Então diga.
- Eu sou um babaca.
- É tenho de admitir que sou.
- Bom, já disse o que queria, estou indo.
- Espera, quero te falar uma coisa também.
- O quê?
- Te amo.
- Eu também.
- Oi!
- Olá.
- Antes de perguntar por praxe, sei que estou bem.
- Também sei.
- É muito bom me encontrar.
- Pensando melhor, nem tanto.
- Eu quero me dizer uma coisa.
- Então diga.
- Eu sou um babaca.
- É tenho de admitir que sou.
- Bom, já disse o que queria, estou indo.
- Espera, quero te falar uma coisa também.
- O quê?
- Te amo.
- Eu também.
domingo, 6 de julho de 2008
Bang!
Caminhava pela rua, e viu um ponei roxo. Sacou o revolver e atirou. Bang!
Gritou:
- O que diabos faz um ponei roxo nessa cidade? Toma chumbo, seu filho da puta.
Mas o cavalinho não morreu, e relichava de dor. Quando apareceu um padre, Bang! Na testa. Gabriel não gostava de pessoas religiosas, diziam que isso o levaria para o inferno.
Olhou para a arma na mão, não sabia de onde ela vinha. Muito menos o ponei roxo ou o padre. Mas estava tudo alí. Ele atirou na mão para ver se não estava dormindo. Bang! Não estava.
Achou que estava louco, vendo coisas. Apareceu uma cobra que falou:
- Senhor, poderia me dizer onde fica...
Bang!
- Cobras não falam.
Gabriel acreditou estar louco de verdade. Lembrou da bula do psicotrópico que dizia "não ingerir com bebidas alcóolicas". Estava fudido e mal pago, louco varrido, com uma arma na mão direita e a ensanguentada mão esquerda. Bang! Para o ar.
Quando o xerife apareceu.
- Entregue a arma.
- Não.
- Entrega.
- Não.
Bang! Bang! Bang! Bang!
E assim Gabriel, morreu.
Gritou:
- O que diabos faz um ponei roxo nessa cidade? Toma chumbo, seu filho da puta.
Mas o cavalinho não morreu, e relichava de dor. Quando apareceu um padre, Bang! Na testa. Gabriel não gostava de pessoas religiosas, diziam que isso o levaria para o inferno.
Olhou para a arma na mão, não sabia de onde ela vinha. Muito menos o ponei roxo ou o padre. Mas estava tudo alí. Ele atirou na mão para ver se não estava dormindo. Bang! Não estava.
Achou que estava louco, vendo coisas. Apareceu uma cobra que falou:
- Senhor, poderia me dizer onde fica...
Bang!
- Cobras não falam.
Gabriel acreditou estar louco de verdade. Lembrou da bula do psicotrópico que dizia "não ingerir com bebidas alcóolicas". Estava fudido e mal pago, louco varrido, com uma arma na mão direita e a ensanguentada mão esquerda. Bang! Para o ar.
Quando o xerife apareceu.
- Entregue a arma.
- Não.
- Entrega.
- Não.
Bang! Bang! Bang! Bang!
E assim Gabriel, morreu.
terça-feira, 1 de julho de 2008
Que Vá Para o Inferno
Gilberto estava apressado a passos largos, Haroldo deu uma corridinha para acompanhá-lo e perguntou:
- Aonde vai com tanta pressa?
- Vou ao inferno.
- Por quê?
- Porque esfriou.
- O inferno esfriou?
- Sim, esfriou, estou indo pra lá e estou com uma pressa dos diabos.
Apertou o pique, Gilberto não queria a companhia, não gostava de gordos, tinha preconceito com quem não se cuidava e ficava comendo bobagens todos os instantes. Haroldo não tinha tanto fôlego. Comia ovos e bacon todos os dias, sedentário, bebia muito. Mas ainda sim o acompanhava. Tal qual um capacho.
- Gilberto, como você vai para o inferno?
- Acho que tenho de morrer para isso.
- E como você pensa fazer isso?
- Morrendo, claro.
- Isso não vai dar certo.
Gilberto chegou a ladeira e desceu correndo, Haroldo também, se tropeçando todo, taquicardia, aperto no peito que logo vira dor.
- Gilberto, vou morrer.
- Puta que pariu Haroldo, você sempre me atrapalha.
- Vou morrer Gilberto.
- Que merda, seu gordo escroto, você tem de ir em todo lugar que eu vou?
- Cara, eu tou morrendo e você discutindo isso.
- É, estou discutindo isso.
- Vai procurar ajuda, preciso de ajuda.
E foi quando Gilberto pulou na frente do ônibus, espatifado na rua, morreu. Como último pensamento sobrou "Aquele gordo nunca vai chegar no inferno antes de mim".
Haroldo, foi safenado. Emagreceu 40 kilos, e viveu mais 30 anos. Quando morreu também foi ao inferno. Que estava quente como o diabo gosta, e lembrou do amigo Gilberto. Quando o encontrou:
- Gilberto, quanto tempo!
- Olá Haroldo.
- O inferno não estava gelado?
- Não, esfriou.
- Então todo esse calor, é justamente o que esfriou?
- Sim, é.
- E por que diabos você queria tanto vir pra cá?
- Achei que ficaria longe de você.
- Você não me suporta né?
- Não!
- Que legal.
- O quê Haroldo?
- Sua punição perpétua é eu estar acompanhando de você.
Gilberto cruzou os braços e deu um suspiro de "puta merda!".
- Aonde vai com tanta pressa?
- Vou ao inferno.
- Por quê?
- Porque esfriou.
- O inferno esfriou?
- Sim, esfriou, estou indo pra lá e estou com uma pressa dos diabos.
Apertou o pique, Gilberto não queria a companhia, não gostava de gordos, tinha preconceito com quem não se cuidava e ficava comendo bobagens todos os instantes. Haroldo não tinha tanto fôlego. Comia ovos e bacon todos os dias, sedentário, bebia muito. Mas ainda sim o acompanhava. Tal qual um capacho.
- Gilberto, como você vai para o inferno?
- Acho que tenho de morrer para isso.
- E como você pensa fazer isso?
- Morrendo, claro.
- Isso não vai dar certo.
Gilberto chegou a ladeira e desceu correndo, Haroldo também, se tropeçando todo, taquicardia, aperto no peito que logo vira dor.
- Gilberto, vou morrer.
- Puta que pariu Haroldo, você sempre me atrapalha.
- Vou morrer Gilberto.
- Que merda, seu gordo escroto, você tem de ir em todo lugar que eu vou?
- Cara, eu tou morrendo e você discutindo isso.
- É, estou discutindo isso.
- Vai procurar ajuda, preciso de ajuda.
E foi quando Gilberto pulou na frente do ônibus, espatifado na rua, morreu. Como último pensamento sobrou "Aquele gordo nunca vai chegar no inferno antes de mim".
Haroldo, foi safenado. Emagreceu 40 kilos, e viveu mais 30 anos. Quando morreu também foi ao inferno. Que estava quente como o diabo gosta, e lembrou do amigo Gilberto. Quando o encontrou:
- Gilberto, quanto tempo!
- Olá Haroldo.
- O inferno não estava gelado?
- Não, esfriou.
- Então todo esse calor, é justamente o que esfriou?
- Sim, é.
- E por que diabos você queria tanto vir pra cá?
- Achei que ficaria longe de você.
- Você não me suporta né?
- Não!
- Que legal.
- O quê Haroldo?
- Sua punição perpétua é eu estar acompanhando de você.
Gilberto cruzou os braços e deu um suspiro de "puta merda!".
Assinar:
Postagens (Atom)
